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O regresso da “Gazeta”

Uma cara sorridente com um balão de diálogo e «Vocabulário» sublinhado.Para criar coragem antes de nos lançarmos nesta tarefa, decidimos falar com algumas das pessoas que já passaram por esta experiência de pôr no papel as opiniões, os desejos, as aspirações e as vozes da nossa comunidade.

Como é que surgiu a ideia de formar um jornal para a nossa escola?

Professor Carlos Carrasco.Prof. Carlos Carrasco — Não me lembro muito bem como surgiu a ideia. Terá provavelmente nascido de conversas com alunos e outros colegas, mas sei que foi em conjunto com a prof.ª Fernanda Ribeiro. Éramos professores de Língua Portuguesa, vinha a propósito do nosso trabalho na disciplina, tínhamos turmas com dinâmica, que gostavam da Escola, gostavam de fazer coisas, e com essas turmas foi fácil dar início ao projecto.

Prof.ª Cidália Rodrigues — Também não sei. Apenas sei que fiz parte dele pelo grande entusiasmo que o prof. Carlos Carrasco manifestava em tudo em que se envolvia.

Por que razão escolheram o título “Gazeta Paulo da Gama”?

Carlos — O título foi escolhido por votação dos alunos dessas turmas, após terem sido apresentadas várias propostas de títulos.

Cidália — Quando comecei a colaborar com o jornal, o título já era “Gazeta Paulo da Gama”.

Quais os seus objectivos?

Professora Cidália Rodrigues.Carlos — Os objectivos do jornal naquela altura eram modestos, em parte diferentes daqueles que deverão ser os objectivos actuais. Os artigos que apresentávamos estavam muito associados aos trabalhos que fazíamos nas aulas de Língua Portuguesa e pretendíamos, fundamentalmente, divulgar o trabalho dos alunos e dar conta das actividades realizadas na Escola. A Escola, nessa altura, só tinha alunos do 2º Ciclo, o ambiente era diferente, a média etária era mais baixa, os interesses eram outros. Nós próprios, professores, também estávamos a passar pela nossa primeira experiência de organizar um jornal. Os originais eram escritos à mão, fazíamos cerca de 250 exemplares fotocopiados. Era um jornal muito «artesanal». Foi o início e, nessa perspectiva, foi uma experiência interessante.

Cidália — Queríamos dar aos alunos a oportunidade de desenvolver a Língua Portuguesa através do jornalismo.

Havia muita gente interessada em fazer a “Gazeta”?

Carlos — Sim, havia muitos alunos que colaboravam na “Gazeta”. Tínhamos um grupo de colaboradores permanentes, que assegurava o grosso do trabalho, e aqueles que entregavam trabalhos para publicação.

Cidália — Sim. O número de alunos era razoável, muito responsável e criterioso.

Quais as turmas e os professores que em 1986 iniciaram o jornal da escola?

Professora Fernanda Ribeiro.Carlos — As turmas do 1º 1, 1º 8, 1º 19 e 1º 20 (o 1º ano de então corresponde ao actual 5º ano). Professores, era eu e a prof.ª Fernanda Ribeiro, contando ainda com a colaboração da prof.ª Cidália Rodrigues.

Ainda se lembra de alguma notícia que tenha saído na primeira edição do jornal?

Carlos — Lembro-me da notícia do corta-mato escolar. O jornal já estava todo escrito e tínhamos reservado um espaço para a notícia do corta-mato. Estivemos à espera que acabassem as provas para poder publicar os resultados em cima da hora.

Cidália — Sei que era notícia, também, o Plano de Actividades da Escola.

Acha que foi uma experiência boa?

Carlos — Sim, foi muito boa, sem dúvida. Penso que todos os alunos que participaram activamente no trabalho do jornal aprenderam muito – aliás, aprendemos todos! – gostaram muito e recordar-se-ão dessa experiência. Por curiosidade, uma das alunas que ajudou a fundar a “Gazeta” tirou o curso de comunicação social e hoje é jornalista no “Diário de Coimbra”. E um jornal escolar pode ter uma acção muito positiva junto da comunidade educativa.

Cidália — Sim, muito boa. Os participantes formaram um grupo coeso, amigo e disponível para se encontrar até fora do tempo de aulas.

Porque é que se deixou de publicar a “Gazeta”?

Três jornais antigos dispostos em leque.Carlos — A “Gazeta” evoluiu muito. Em 1989 saí da Escola, o professor António Henriques, com muito saber e mais experiência, continuou com o jornal e este ganhou uma outra dinâmica e outras qualidades, tornando-se mais interventivo na vida escolar. A Escola passou, entretanto, a ser uma Escola do 2º e 3º Ciclos, havia alunos já com outra maturidade. Evoluiu-se também a nível do próprio equipamento e, logicamente, no aspecto gráfico do jornal, passando-se a fazer um número muito maior de exemplares, com ar mesmo de jornal. Em 92 ou 93 a “Gazeta” chegou, então, a ganhar um prémio no concurso de jornais escolares do jornal “Público”. Mas fazer um bom jornal implica muito trabalho, dedicação, paciência, tempo. Nos últimos anos não tem havido professores com essa disponibilidade, nem tem havido alunos com a vontade necessária e suficiente para levar para a frente um trabalho desses. Espero que sejam vocês, acompanhados pelos professores que nesta altura vos orientam, a conseguir quebrar esse jejum que é a ausência da “Gazeta”. Ficaria muito feliz. Desejo-vos as maiores felicidades.

Cidália — O jornal implica muita disponibilidade. A Escola mudou de características. Os professores foram ficando absorvidos com todas estas transformações e, sem saber bem porquê, o jornal desapareceu.

Inês Andrade e Pedro Cardoso, 7º 2.
De cima para baixo: os profs. Carlos Carrasco, Cidália Rodrigues e Fernanda Ribeiro, e exemplares antigos da “Gazeta”: o 1º número (Dezembro de 1986), o que noticiou o prémio do jornal Seta a sair de pág.“Público” (Janeiro de 1993) e a última edição (Dezembro de 1996) antes deste regresso.

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